sábado, 30 de março de 2013

Anices III (O moço do ônibus III)


"O inteligente aprende com seus próprios erros, o sábio aprende com os erros dos outros". Ana aprendeu tanto com seus erros, quanto com os erros das suas amigas que, na prática, a teoria do elástico de John Gray funciona muito bem. Era necessário conter a vontade de estar perto novamente enquanto ele se afasta, sem telefonar, nem mandar um SMS, sem nada, para que depois, quando a saudade bater, ela retorne com o impulso do elástico.
- Ai, quinze dias sem notícias? Quinze dias! Se ele não fosse casado eu até poderia ligar. Não! Não poderia! Isso seria como assustá-lo! Lembre-se da teoria do elástico, senhora Ana, lembre-se da teoria do elástico! "Quando um homem quer uma mulher, periodicamente ele precisa se afastar antes de poder se reaproximar"!
Ana não conseguia se concentrar no trabalho, tinha e-mails para responder, mas sua mente só dizia "Nando, Nando, Nando". Desceu as escadas, foi até o jardim, acendeu um cigarro e se impôs que voltaria decidida a trabalhar.
- Oras, estou agindo como se nunca tivesse vivido coisa parecida! Tudo bem que não é todo dia que eu ando de moto encostada numas costas musculosas como aquelas, mas, fala sério!
Antes mesmo de chegar a sua mesa, Ana ouvia o toque do seu celular. Nando! Era o Nando! Era a exceção quebrando a regra de John Gray.
- Ana?
- Sim! Tudo bem, Nando?
- Com certeza eu tou ótimo - sorriu. Liguei só pra ouvir sua voz, se eu tivesse nascido rico, cancelaria essas reuniões, não viajaria e ficaria contigo. Se ao menos eu pudesse te levar comigo.
- Se você tivesse nascido rico, certamente não estaria dentro daquele ônibus.
- É verdade. Ana... eu estou com medo agora.
- Medo de que? Disso atrapalhar a sua vida familiar? Não se preocupe, se formos discret...
Nando a interrompeu:
- Estou com medo porque já estou com saudade. Seu cheiro não sai de mim, sua voz não me abandona, minha mão sente falta da maciez da sua pele. Estou com medo porque essa aventura deu um outro sentindo em minha vida.
- Ah! Não sei o que dizer sobre isso, só posso dizer que você também mexeu comigo.
- Cuidado com o que você fala, tenho coração fraco pra fortes emoções, hein?
Sorriram, trocaram mais carinhos com palavras, se despediram e durante 15 dias seguidos Ana só pensou em Nando, só o desejou, só soube esperá-lo. Se o trabalho não estava muito empolgante, se as coisas em casa não andavam muito bem,  não havia problema, porque ela tinha Nando escondido no seu íntimo.

Quarta-feira, 10h da manhã, o ramal toca:
- Senhora Ana, tem uma encomenda aqui na recepção para você.
- Ok, já vou pegar.
"Oras, que encomenda será? Não estou esperando nada". Coração de Ana bateu forte quando viu sobre o balcão um lindo buquê de rosas colombianas. Havia um cartão:
"Pensei em te mandar uma rosa pra cada minuto que pensei em você, mas seria exagero, nem caberiam na sua sala, então decidi mandar uma rosa por cada dia em que te desejei. Saudade é o que me resume. Beijos. Nando"
Pouco tempo depois o telefone toca, era ele.
- Oi! Muito obrigada pelo presente, mas não foi suficiente pra curar o mal da sua ausência.
- Eu imaginei, por isso estou ligando pra te convidar pra almoçar. Aceita?
- Claro! Adoraria!
Como era de se esperar, foram almoçar num lugar onde pudessem ficar a sós, se curtindo, matando a vontade que estava por matá-los. Fizeram amor de novo e mais uma vez e com Ana deitada sobre seu peito, Nando disse numa voz trêmula:
- Sabe, eu fico preocupado com a forma que você vai entender o que eu digo, pode achar que é carência ou até mesmo viadagem de sentimentalismo, mas eu preciso te dizer. Por muito tempo eu dirigi a minha vida seguindo todo o passo a passo da vida moralista. Trabalhava demais e nos momentos de lazer estava sempre com minha família. Meu casamento não é o que se pode dizer de casamento feliz, talvez acomodado seria a palavra certa, durante o dia, enquanto estou no trabalho, minha esposa está vivendo a vida individualista que ela escolheu pra si e a noite, quando chego em casa, falamos sobre notícias do jornal e nos desejamos boa noite com um selinho fraternal. Eu não a culpo, é uma mulher bonita, muito vaidosa e o que mais existe no mundo são homens atrás desses atributos. Não foi por outro motivo que eu quis estar contigo aquele dia, a sua beleza é mesmo muito atraente, mas foi o seu sorriso, a sua alegria, o seu jeito de menina num corpo de mulher que me fez querer ficar. Não sei o quanto isso vai parecer verdadeiro pra você, já que é a frase principal de um cafageste, mas eu nunca vivi isso que está acontecendo conosco. E hoje eu sinto mais medo que naquele dia, porque não só o seu sexo, mas a sua amizade, o seu jeito de ouvir, compreender, dar atenção, deu novo sentido aos dias que me restam na vida. Eu acho que quando temos uma vida banal é mais fácil compreender a morte. Você está me fazendo ter medo da morte.
- Ai, Nando! Mas por que falar em morte já que estamos nos sentindo tão vivos? Esse medo acompanha todos os seres humanos que têm vida, igual à música do Gonzaguinha, "(a vida), sempre deseja, por mais que esteja errada, ninguém quer a morte". Agora pára de pensamento bobo e vamos curtir com alegria esse nosso momento.
Se beijaram, Ana preferiu fingir que não percebeu os olhos lacrimejados dele e quando já estavam fazendo amor novamente, Nando disse:
- Só não me faça muito feliz, dona Ana, porque o meu coração é fraco.

(continua)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Anices II (O moço do ônibus II)

           Ana titubeou. Raramente ela hesitava, mas dessa vez... É que ela morria de medo de moto, como poderia sair por aí, andando de moto com um cara que ela acabou de conhecer no ônibus?!

           “Já sei, quando ele me ligar eu vou cancelar tudo, explicar os meus motivos e se ele quiser, que arrume um carro pra me levar, mas na moto eu não subo”.
           O telefone tocou, Ana atendeu e explicou todo o seu medo:
           - Nando, eu tenho muito medo, minhas mãos já ficam suadas só de eu imaginar.
           - Não, não, pode ficar tranquila, eu vou com cuidado, te protejo. Deixa pra suar quando a gente tiver fazendo amor gostoso, tá bom?
           “Poxa, assim ele me dobra fácil”. Ana pensou e respondeu um “tá bom, tudo bem” que poderia facilmente ser trocado por um “sim senhor, sim senhor, você manda e eu obedeço igual cachorrinha”.
           Ela não esperava muito desse encontro. Pela facilidade, Nando deveria estar acostumado a sair com desconhecidas. Aí vem a parte machista da história. O homem quando é fácil demais é julgado como raparigueiro, já a mulher casada, se não for fácil e descomplicada tá fazendo cu doce, ou querendo um amante fixo, um certo compromisso, quem sabe até trocar de marido. Escolheu a menor calcinha pra surpreender o moço moreno, sutiã cor-de-rosa pra não perder sua imagem de menina, batom vermelho pra denunciar o seu calor. No horário combinado ele apareceu, colocou delicadamente o capacete nela e disse sorrindo “morena, estou ansioso”. Na garupa, a vontade de Ana era agarrar Nando com força pra esquecer o medo, mas ao mesmo tempo vinha a timidez, ela até tinha esquecido que aquilo era um encontro de tão concentrada na aventura que tinha topado naquela manhã, se contentou em deitar a cabeça sobre as largas costas que daqui a pouco conheceria pele a pele.
           Chegaram, ele a ajudou a tirar o capacete, ajeitou os cabelos dela e beijou seu rosto. Entraram. Ele se encostou numa parede, enquanto a olhava desligar o celular e tirar o casaco. Quando ela percebeu que estava sendo mirada, largou tudo e foi até ele, se olharam nos olhos, riram como quem executa um plano secreto e então se beijaram. Após o beijo, Nando a abraçou forte, cheirou seu pescoço, beijou e disse baixinho “que bom que está aqui”. Oras! Ana estava preparada pra estar com um raparigueiro, tinha saído pra fazer o que tinha que fazer e pronto, essas gentilezas não estavam nas expectativas. Durante o sexo, carinho nos cabelos, beijos nas bochechas, sorrisos, palmadas, mordidinhas, conversas sacanas enquanto Ana admirava o tamanho do corpo daquele homem pelo espelho do teto, a cobrindo inteira enquanto dançavam o ritmo do desejo. Ana foi ao céu antes de Nando, quando voltou percebeu que ele a olhava, sorrindo, excitado, ela riu de timidez , “que delícia”. Ele virou o rosto dela pra ele, olhou nos olhos, beijou a boca e disse, “você é linda demais”, indo também ao paraíso.
           Ana se deitou de bruços, ainda nua, completamente relaxada, feliz. Nando, também com expressão de satisfação, ficou acarinhando as costas dela, o bumbum, coxas, nuca, enquanto a envaidecia com tantos elogios. Contou que viajaria no dia seguinte, mas que quando voltasse queria encontrá-la novamente, brincaram com a diferença de idade de 20 anos entre eles, Nando queria saber sobre o casamento de Ana, enquanto ela fugia do assunto brincando com os músculos da barriga dele.
           - Linda, está tão gostoso aqui que eu não queria te largar, mas olha a hora, você vai se atrasar para o trabalho.
           - Ah, nããããão! Vida real, não! Vamos ficar aqui fugidos.
           - Quem dera pudéssemos, danadinha! Vem, vamos tomar banho.
           No chuveiro se amaram novamente. Era como se já fossem conhecidos de muito tempo, um sabia exatamente como agradar ao outro.
           - Agora nós teremos que andar um pouquinho mais rápido pra respeitar a velocidade da via, mas não tenha medo, é só você parar de me tratar como um estranho e se agarrar em mim, igual você fez ainda há pouco. Sorriram, durante o caminho ele ficou alisando a mão dela, entrelaçando os dedos enquanto ela acariciava sua perna. No estacionamento do serviço de Ana, se despediram com um abraço curto.
           - Ana, aqui eu posso te beijar?
           - Ahhhhh, Nando! Não fala isso que eu morro de vontade. Me beija o rosto.
           - Beijo, mas só se for perto da boca, a minha vai sentir saudade da sua.
           Ana já estava se distanciando quando ele gritou:
           - Juízo, hein? Se puder, não divida você com mais ninguém!
           - Eu que te digo! Quem vai viajar é você! Volte inteiro! E obrigada pelo passeio.
           Riram. Ana continuou andando. “Enquanto você viaja, vou ficar aqui, viajando em você”.

(continua)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Anices I (O moreno do ônibus I)

             Eles pegavam sempre o mesmo ônibus e durante um ano inteiro apenas Ana o observava, enquanto ele matinha seus olhos concentrados no horizonte. Ela olhava e imaginava como seria a voz dele, qual seria seu nome, será que era uma pessoa legal ou ranzinza? Casado parecia não ser, pois os dedos estavam livres de anéis. Os cabelos grisalhos demonstrava uma experiência aparentemente interessante. Os ombros largos e braços fortes a seduziam em silêncio, ficava pensando como seria caber no abraço.
             Eles pegavam sempre o mesmo ônibus durante um ano inteiro. Finalmente o acaso também decidiu embarcar. Ana estava sentada no banco mais alto, bem ao fundo. Ele ainda estava do outro lado da roleta e por um descuido seus olhos encontraram o olhar incansável dela. Na hora, como um susto, Ana abaixou os olhos para logo tornar olhar e constatar que ele ainda a mirava. Será mesmo? Depois de tanto tempo?
             Ana deu sinal, caminhou até a porta e olhou mais uma vez o moreno grisalho, os lábios grossos dele diziam, sem som algum, mas movimentos nítidos, o desejo de bom. Ela riu, desceu do ônibus louca de vontade de voltar e ir pra onde ele fosse.
             Dia seguinte o acaso embarcou novamente. Ônibus cheio, os dois parados ainda antes da roleta:
             - Oi! Bom dia! Atrasada hoje?
             - Um pouco. Você também, né? - e riu, corada.
             - É, mas já não estou chateado, te ver de novo já valeu a pena, apesar de eu ver no seu dedo uma aliança.
             - Ah, é verdade. Mas isso não impede novos amigos, impede?
             - Não, acho que não. Também acho que você não se importaria em saber que deixei minha aliança para polir. - e riu, gostoso.
             - Pelo contrário, fico aliviada. Assim garante que nossos espaços serão respeitados.
             - Exato. E já que estamos de acordo, quando eu posso te raptar?
             - Preciso ver.
             - E como vou saber? Vai me passar seu telefone? Vai ser legal, a gente dá um passeio, te busco de moto, te deixo no trabalho a tempo. Você me conhece melhor. Eu não preciso te conhecer melhor pra saber que gostei do seu jeito, parece ser muito carinhosa, é sorridente de um sorriso lindo.
             - Obrigada pelo elogio. Já eu quero te conhecer bem melhor. Já faz tempo que eu fico te cobiçando. - sorriu descontraída.
             - Ah, é? Acho que nunca percebi porque ando sempre pensando no trabalho. Eu só preciso saber o que você gosta de fazer e quais dessas coisas está disposta a fazer comigo. Você me conta?
             - Sim, quero fazer anices com você.
             - Anices?
             Nesse momento já era hora de Ana descer.
             - Sim, anices, me liga, a gente fala sobre isso. Tenha um bom dia.
             - Meu dia já está ótimo. Que o seu seja também.
             Ele se aproximou para beijar o rosto, mas acabou selando as bocas uma na outra. Então ela se virou, bochechas quentes de vergonha, corpo quente de vontade. Anices.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Versário do Sutiã

Sete dias da semana, sete cores no arco-íris, sete pecados capitais, sete vidas pra um só gato, sete anões, sete notas musicais, grandes chakras, sete maravilhas do mundo, sete anos do Sutiã Quarenta e Seis.


Uma menina envolvida na Internet, fã da melancolia de Florbela Espanca e que recitava poesia todos os dias e devorava seu livro de literatura do colegial. Uma necessidade de canalizar pensamentos, a precisão de saber se expressar, um pouco de tempo livre. Pronto, o queijo e a faca na mão. Nasceu o Sutiã.

Hoje ele tem um monte de historinhas de faz de conta, que ela escrevia na vontade de viver. Vivenciar os solventes de rotina que a deixava de mãos atadas. Ela tinha essa mania de falar sobre si em terceira pessoa, pra confundir a cabeça de quem lia: “isso é verdade? Será que é ela mesma? Será que não?”. Os fluxos de consciência sempre estiveram presentes, faz parte dele tanto quanto o hábito de respirar. Os textos de desabafos melancólicos e dramáticos, porque ela sempre sentiu a tristeza muito muito mais inspiradora que a felicidade, uma vez que a gente fica muito ocupado pra escrever sendo feliz. As homenagens às pessoas especiais, que por sinal foram muitas, algumas vieram como uma estação e já passaram, outras vieram pra ficar, como é o caso do meu amigo especial Leo, da Multidão, a Adriana do Café com Sangue, a Lu que vive Querendo Saber, a Bia que umedecia a gente com o Sempre Chove, a Isa do VanillaSky. Tem muita gente, não dá pra citar todo mundo.

Aí a gente percebe como nossa personalidade e hábitos mudam naturalmente, devagar e sempre. Eu leio os textos antigos publicados aqui e vejo uma menina que escrevia coisas que ela imaginava ser legal de viver, mas só imaginava, porque não vivia. Uma estudante do colegial que colecionava o caderno C do Correio Braziliense, pra fazer recortes e colagens dos versos de poemas que ainda não conhecia, das dicas de português da Dad Squarisi, as tirinhas do Haroldo também faziam parte da coleção. Tudo isso num caderno de capa de cachorrinho, onde era escrito qualquer fragmento de texto que futuramente estaria aqui no blog. Hoje eu sou uma mulher jovem, que vive tantas coisas que no fim de tudo falta jeito, molejo, malemolência pra escrever aqui. Correio Braziliense eu nem lembro de ler mais, só compro pra servir de banheiro pra Trid. A Dad Squarisi já não é tão admirada por mim, desde o dia que ela quis tirar a Lingüística de tempo, como se a gramática fosse essencial pra uma boa comunicação.

Eu fico feliz por hoje eu ser quem eu gostaria de ser quando o blog começou. Eu fico feliz por ter uma vida divertida capaz de compor mais sete blogs! Eu estou feliz pelo sétimo aniversário do Sutiã e vou tentar, quem sabe, costurar ele por mais 7. Aí imagine só, se falam que a cada 7 anos mudamos um ciclo na nossa vida, já teremos duas Rayslas diferente aqui. E então, será que você sobrevive a duas Rayslas?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Serpente e a minha falta do que dizer

             Eu tenho uma correntinha que nunca tiro do pescoço. Nela tenho dois pingentes. Uma pedrinha em forma de coração cor de rosa que na praia fica branca, deve ser o sal, dizem, eu acredito. Também tenho uma serpente de ouro que eu coloquei atrás da pedrinha de coração pra dar a idéia de que a cobra esteja pra dar o bote no coração. Tal qual a maçã, corações também são frutos proibidos, você se alimenta do que há no coração de alguém e então se torna dependente, mesmo quando já não existem alimentos disponíveis para você nessa dispensa romântica. Aí vem o caos, se fazer dieta de cerveja e pães de queijo já é difícil, imagine fazer uma dieta sentimental!
             Pois no meu pescoço tenho uma serpente devorando um coração que pode ser proibido, mas também pode ser que não. Então o guardinha do prédio do meu trabalho, que é cristão e em todas as suas conversas repete a sua escolha religiosa como se fosse para que não esqueçamos, me diz:

- Ray, e essa cobrinha aí no seu pescoço? O símbolo do pecado! Isso não combina com você, tão doce, tão meiga.

             Mas se eu usasse um pingente de uma maçã, que é doce, especialmente se for uma do amor, eu ouviria a mesma coisa. Vai ver ele usa a inconveniência pra puxar papo com as pessoas.
             Na minha perna também tenho uma serpente cor de rosa tatuada, com flores de cerejeira e bambus em volta. Mas eu não venero a serpente da Bíblia, na verdade eu nem me lembro da serpente malvada do Gênesis. Foi o argumento que usei pro papai assinar o termo de responsabilidade no estúdio. Funcionou.
             Meu signo chinês é Serpente, de elemento Fogo. Claro, como uma boa espertinha não expliquei isso ao guarda. Se ele me critica por usar uma serpente, imagine só quando souber que eu me apego a coisas de signo, tudo que o pastor diz pra ele repudiar. Pode ser desagradável.
             Após contemplar a minha inconstância de postagens nos últimos tempos, encontrei uma desculpa muito boa, tanto pra inconstância quanto para o que parece ser preguiça de escrever:

NOTA ASTRAL (1):
As Serpentes não são preguiçosas, elas são simplesmente mais ativas mentalmente do que fisicamente”.

              Em casa eu falo uma quantidade de frases que daria para escrever uma novela gigante tipo Malhação. No ônibus, no caminho para o serviço, me vem um monte de diálogos imaginários. Na sacada, tomando cerveja ou fumando um cigarro, minha mente viaja nas minhas próprias questões filosóficas. A noite eu tento lembrar de tudo de legal que eu falei e pensei pra colocar aqui no blog, mas eu só fico lembrando mesmo, interromper o pensamento para me levantar em busca de uma caneta que eu sempre esqueço onde deixei pode ser muito dispendioso. Mas então, Brutus! Onde vão parar tantos pensamentos?! Na vontade de voltar a tecer o Sutiã.

NOTA ASTRAL (2):
O fogo representa no Horóscopo Chinês, os animais que tem um tipo de personalidade passional, são considerados também os mais instáveis

               Instável, portanto eu tento compreender a minha preguiça superatividade mental com esse argumento. E assim segue a minha humanidade, fazendo nada e bem devagar, esperando que um remédio anti monotonia invada a minha goela sem que eu perceba e plim! Chegar cheia da energia que Áries insiste que eu tenho (arianos são muito atléticos, eu vim pra quebrar a regra), mas que eu não sabia pra onde ia até a Serpente me contar.

                Eu tou dramatizando, eu sei, mas se por trás de um grande homem há uma mulher, atrás de uma mulher há uma serpente. Eu que o diga!



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobre o tédio

  Eu me adapto a quase tudo, mesmo que seja na marra. Uma dieta liquida, cerveja barata, outra marca de cigarro, outro estilo de música. Me adapto até à cadeira do dentista. Mas, vida, não me dá muita rotina, não, porque aí eu padeço. Sou perecível ao que não muda nunca. Mesmas pessoas sempre, a mesma falta de assunto, o mesmo marasmo no trabalho, o mesmo sono durante o dia, a mesma insônia durante a noite.
E assim como o Cazuza, sigo preferindo Toddy ao tédio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sobre o medo e um monte de porquês

Eu não tenho medo da dificuldade, eu tenho medo é do inesperado. Eu não tenho medo de assumir que tenho medo, não tenho vergonha, porque se antes eu parava diante dos obstáculos e chorava, hoje eu dou uma paradinha só mesmo pra tomar fôlego. Até choro, mas só quando a batalha tá no fim. Choro de alívio. Porque eu aprendi que não existe vida boa ou ruim. Tem gente que tá na praia e tá reclamando. Tem gente que tá no córrego raso e tá ultra feliz. Eu tenho medo do inesperado, só. Não tenho medo de ser feliz, porque isso não é inesperado, eu planejo a minha felicidade todos os dias, mesmo na dificuldade, porque eu sou ariana de março e jogador bom é aquele faz perfect em nível hard!