segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dos medos II (a Astrid ainda me pira)

          Se a Astrid for um estágio que Deus preparou pra mim, uma lição do módulo “Cachorro dá trabalho, filho dá mais, e aí, vai querer?”, eu tou fora! Mas aí lembro daquele poeminha fofo de Vinícius de Moraes:
“Filhos, pra que tê-los, mas não temos, como sabê-lo?”

Em pleno sábado chuvoso, depois do almoço, me diga, o que vocês acham que eu fiz? Dormi, é claro! No sofá, enquanto o marido-delícia e meu irmão jogavam vídeo-game. Tava tudo muito bom, tudo muito bem, quando eu escuto a voz do meu pai: “Cadê a Astrid?! Gente, essa cachorra é doida, se ela não ta latindo vocês precisam desconfiar que alguma coisa ta errada”.
Eu levantei meio tonta, tentando descobrir se aquilo era realidade ou fruto do meu subconsciente. Todos já estavam lá fora quando eu ouvi a minha mãe perguntando por mim. Na hora doeu o peito. Fiquei com medo de ir lá fora e vê-la atropelada, estirada no chão, com o pêlo branco manchado de vermelho e os olhos esbugalhados típicos de cão-recém-atropelado. Vi toda a imagem na cabeça. Minha mãe me contou que tinha saído e meu pai esqueceu o portão aberto (fato altamente desconfiável, um dos sintomas de culpa do meu pai é transferir a responsabilidade).  Respirei fundo e tomei coragem, fui em direção ao portão e de repente vejo o meu herói, o marido-delícia com a Astrid no colo. Eu não sabia se ficava feliz por tê-la visto ou se ficava brava pelo susto. 
O pior de tudo: ela passeando pela casa, rebolando o rabinho empinado com a maior cara de “ué, gente, como vocês são afobados, eu só fui dar uma passeadinha na rua, ver o movimento, como vocês são dramáticos”.

Conclusão: estragou o banho que tinha tomado no dia anterior, com direito a hidratação e escovinha feitas pelo marido-delícia (puta merda! esse é um ótimo motivo! Pentear cachorro dá a maior trabalheira! Aliás, se vc quiser dizer algo mais pesado que "vá pentear macacos", diga "vá pentear Shih-Tzu"), estragou o meu sono e sujou o piso branco da casa com suas patas imundas. Eu acho que é a reencarnação do Marley, sabe, o Marley do livro que virou filme...

Na hora eu lembrei de uma frase que ouvi num ônibus:

“Filhos, pra que tê-los? Mas se tiver, afogai-os”.

E ela ainda quis me morder quando fui catar as pulgas herdadas em sua liberdade.
Ingrata!

Sim, se a Astrid for um estágio que Deus arrumou pra mim, uma lição do módulo “Cachorro dá trabalho, filho dá mais, e aí, vai querer?”, eu tou fora! Posso até dizer: tenho medo de filhos!

4 comentários:

Luciana disse...

Filhos?
Pior,muuuuuuuuuuito pior!
Filhos?
Melhor,muuuuuuuuuuuuuito melhor!

Cunfusa?
Eu também fico,mais amo!
KKKKKKKKKKK

Myself disse...

Nossaaa, eu não tenho medo: tenho pavorrrrrrrrrrr!!!

RS!!!
Adorei o post!

Marcos Satoru Kawanami disse...

meu pintscher morreu atropelado no ano passado, aquele retardado daria a vida por mim, ma amava sem-noção.

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, maldade, mas pense assim, a tua mãe passou por um bocado de aporrinhações parecidas com estas (ai entra a parte de valor ao que ela fez)...

E sorte em criar a Astrid, mas pensou em leva-la para um treinador?

Fique com Raysla Camelo.
Um abraço.