sexta-feira, 15 de abril de 2011

Volta logo!

Ela acorda e fica na cama até a consciência pesar. Levanta, troca de roupa, toma café com leite, ora mais café, ora mais leite. Fala pouco, pensa pouco, faz pouco. Ela demora pra acordar de verdade.

Ela planeja o que fazer a tarde: estudar, modelar bonecas de biscuit, pintar as unhas, dormir mais. Depois do almoço ela liga o rádio, geralmente escuta as músicas que ele não gosta, que é pra não fazer desgosto. Lulu Santos ainda é a recuperação de alguma inspiração perdida. Existem músicas que são como células da alma, lembranças delivery. Los Hermanos. Marisa Monte. Engenheiros. Legião Urbana não dá mais, traz tanta saudade que arde o peito mais que àlcool em ferida aberta. Belchior às vezes ainda aparece enquanto ela está planejando faz e fazendo diferente do que planejou.

A noite ele chega. Ela já desligou o rádio, guardou toda a bagunça do artesanato, arrumou a cama bagunçada do cochilo, tomou banho e está com o relógio na mão contando quanto tempo falta pro primeiro abraço de amor de verdade. Eles se abraçam, se beijam e nem ficam tão grudados quanto a saudade sugere, mas o cheiro do ar muda, as cores ficam mais bonitas e o relógio vira o pior inimigo.

Entre uma linha e outra o coração dela tá batendo sem ritmo certo, ora rápido, ora apertado. Tudo isso de saudade, ora amor, outrora mais amor ainda.

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